Recebi um email muito gentil de um leitor desse blog (que não tem muitos leitores que não sejam meus amigos [oi, amigos] e os que tem eu normalmente não conheço, então fiquei bem feliz) perguntando como eu estou.

Eu estou bem, obrigada. Trabalhando como nunca, fazendo merda como sempre, dormindo menos do que gostaria, indo a mais shows e comprando mais livros do que minha conta bancária gostaria, com mais amigos que os que tenho tempo de dar atenção, lendo muito embora muito mais bobagem do que deveria, assumindo mais responsabilidades do que posso suportar como sempre, tendo algumas notícias boas e outras não tanto. Sei lá. De vez em quando eu tenho vontade de escrever, mas não tenho mais ânsia alguma de publicar, e as coisas vão se acumulando aqui nos drafts.

Em nenhum outro lugar eu fui tão repetitiva quanto nesse blog, mas em nenhum outro fui tão exposta, tão sincera, dando tanto a cara pra bater. Isso não é uma despedida nem nada, mas talvez, finalmente, eu esteja um pouco mais “limpa” de tudo o que eu tinha tanta necessidade de dizer aqui. Não que as coisas que me incomodavam já não sejam um problema, não que a felicidade não venha mais naqueles rompantes que me acostumei a compartilhar, mas talvez eu tenha aprendido a lidar com as duas coisas.

Eu volto a escrever aqui. Torçam pra que seja por um bom motivo.

 


Mika

22nov10

Eu morro de medo de montanha russa, mas gosto muito também e tenho até uma favorita: a Boomerang, do Playcenter. Ela é bem rápida: vai, blam!, volta, blam!, e você sai dela com a alma  completamente lavada, muitos de seus demônios perdidos para sempre em alguma das curvas.


Eu chorei tanto, tanto, tanto assistindo Glee, ontem, que o Cris ouviu do andar de baixo, veio me abraçar e eu chorei até dormir.

 

I don’t believe in God, Dad. But I believe in you, and I believe in us.


Eu me senti tão dolorida e tão sozinha, e me identifiquei em níveis tão grandes com Kurt e seu pai no hospital e sua descrença e sua dor. E então o pai dele aparenta uma melhora e eu quis tanto que minha vida também fosse um tipo triste, mas otimista, de ficção.

 

Oh please, say to me
You’ll let me be your man
And please, say to me
You’ll let me hold your hand.

Já aconteceu tanta coisa nesse um-ano-e-pouco e uma delas foi que uma noite eu sonhei que tudo tinha sido um sonho, e meu pai continuava bem como sempre, e acordei em choque. Outra coisa foram os amigos, imensos, muitos.

Não sei se já falei disso aqui mas meu pai sempre dizia que era importante perdoar o que faziam de mal, porque não havia mesmo outro jeito de viver em paz, assim como era importante fazer o bem sem desejar nada em troca, porque nunca havia nada em troca mesmo. Mas que mais do que tudo isso era importantíssimo lembrar. Você não pode esquecer o que faz e o que te fazem de mau porque, lembrando, também não esquece o que faz e o que te fazem de bom. E se você esquecer não se lembrará mais quem é, de onde veio, de que coisas boas ou ruins é feito. Nossa identidade está ligada ao que fazemos e também ao que os outros fazem, e eu levo isso comigo.

Aos amigos, aos quase-amigos, aos inimigos, aos quase-inimigos: não esqueci, nem vou esquecer. Cada pequena e grande coisa, nunca vou esquecer. E isso me ajuda a andar pra frente, sempre pra frente, mesmo que eu não queira, eu ando e ando e ando e de vez em quando choro até morrer com um episódio de Glee.

 

I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try



Le fu.

06out10

Não vamos falar de trabalho, certo? Certo. Falemos mal de outra coisa, então.

Entre conhecidos e amigos de amigos tem acontecido uma coisa bem desagradável, que é tipo uma onda de boataria (mesmo pessoas que nem se conhecem falando ao mesmo tempo) e acusações contra mim e contra o Cris e contra tudo o que somos nós dois. Coisas de todo tipo, sempre culminando com termos um relacionamento de aparências.

Tipo. Hello? Affe que eu não tenho nem palavras. Tenho uma ponta de vontade de esfregar todas as verdades na cara dessa gente, ou de sair bradando que é obviamente inveja ou coisa assim. Nós temos um relacionamento que consideram convencional? Não temos, sequer somos individualmente convencionais. Isso dá o direito de alguém se meter na nossa vida?

Não. Especialmente quem sequer é nosso amigo.

Morram.


Desde sempre o Cristiano tem mania de descontar a raiva fisicamente, não em mim nem em ninguém porque não é tão burro assim, mas nas coisas à volta dele. Cada briga é um tal de tacar mochila longe, derrubar coisas, socar parede. Uma vez ele socou a janela da biblioteca, quando ainda era nosso quarto, quebrou o vidro e cortou a mão. Nunca me incomodei em trocar o vidro, porque né, foda-se, então tá lá até hoje.

Ontem nós tivemos uma briga horrorosa, tanto que acabamos perdendo o compromisso que tínhamos e tudo. E no meio da briga ele chutou uma cadeira que estava na sala. A cadeira chutada foi empurrada pra frente meio que em câmera lenta, e bateu na porta, claro que a porta de vidro. Que, é claro, é a porta da frente, que obviamente dá direto pra rua porque minha casa não tem esses luxos de portão e quintal. A sala e a calçada da frente se cobriram de vidro.

Bati palmas e ri por dois minutos inteiros, de tão maravilhada que fiquei com a proeza. Consegui nem ficar brava, porque imaginem se vou perder meu tempo com essas coisas pequenas tipo ódio e fúria, sendo que presenciei algo tão sensacional.


Love me true

10set10

Tendo a achar que o amor verdadeiro (qualquer amor verdadeiro) demanda falta de critérios para se amar. Não me diga que AMA Beatles, mas só depois do Revolver; não me diga que é apaixonado por Elvis, mas só “a fase boa”. Saber que é pior não é deixar de amar assim mesmo. Amor é amor, gosto é gosto, critérios são critérios. Em Las Vegas e no iê-iê-iê.

Elvis na fase decadente
É bem melhor que muita gente


A Humilhação

28jul10

Aquele livro que eu tinha comprado era bem curto, terminei de ler e emprestei pra Shibbo. E obviamente depois que ela terminou escrevi uma dedicatória~ e dei de presente o livro pra ela. Porque, .




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