Something blue

06Nov09

Eu sei o que ele sente quando olha para ela e sente o gosto de antigas possibilidades abandonadas. Eu sei o que ele sente quando olha para ele e sabe que o ama, e só pensa nele e nele e nele, exceto quando pensa nela.

Eu sei o que ele sente quando a vê nos braços de outro, e pensa que ele mesmo está nos braços de outro, também. E que ambos amam seus respectivos “outros”, mas que talvez o “e se tivesse sido diferente?” fique pairando eternamente entre os dois, os quatro.

Eu sei o que ele sente quando não conversa com ela sobre isso, não conversa com ele sobre isso, não pensa sobre isso sempre que pode evitar. E sei também que ele não tem nada contra o homem que está com ela, mas sente ele sempre será o homem que a roubou, que roubou uma vida inteira de possibilidades. Sei como ele se sente egoísta por pensar assim, já que tinha feito sua escolha em desistir dela muito antes, já que essas possibilidades nunca foram reais.

Eu sei o que ele sente quando está nos braços dele e nada mais existe, e o ama, o escolheu porque o ama, que quando está imerso no mundo dele está mais feliz do que jamais foi. Mas também sei que, quando ela sorri, ele lembra que a ama também, que todo o mundo dela poderia ser dele, o sabor de tudo que foi deixado para trás.

Eu sei o que ele sente conforme o amor por ele e dele é alimentado e se solidifica, e o amor por ela e dela vai se desfazendo aos poucos, pedra sob a chuva, areia sob o tempo, e dói, e é triste demais.



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